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Baixa demanda da mineração puxa consumo de energia elétrica para baixo

Entidade aponta que metalurgia e produtos de metal, além da extração de minerais metálicos, são os segmentos que demandam mais eletricidade no Pará

Elisa Vaz

O consumo de energia elétrica caiu 1,5% no Pará este ano, até o dia 15 de julho, última data contabilizada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que monitora 15 ramos de atividade econômica. De acordo com a organização, o Estado teve um consumo de 2.677 megawatts médios (MWm), sendo que, um ano atrás, este número ficava em 2.717 MWm.

Presidente do Conselho de Administração da CCEE, Rui Altieri diz que queda foi puxada pela menor demanda nos setores de extração de minerais metálicos (-6%) e metalurgia e produtos de metal (-4%) no período, que, historicamente, consomem mais no Pará. “O declínio foi influenciado pelo contexto internacional, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, a queda do valor de venda do aço e problemas de logística, o que tem pressionado prazos de entrega, encarecido fretes e freado a produção de empresas brasileiras”, explica.

O especialista destaca também que os setores de metalurgia e produtos de metal e de extração de minerais metálicos são os que demandam mais eletricidade no Pará. “São grandes empresas que compram energia no mercado livre, ambiente que hoje responde por 55% do consumo paraense. O restante, 45%, é utilizado pelo mercado regulado, que abastece residências e pequenas empresas. Nesse segmento, houve estabilidade na comparação com 2021”.

Já o economista e membro do Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá (Corecon-PA/AP), Sérgio Melo, acredita que a diminuição do consumo de energia elétrica dos setores econômicos paraenses em 2022 podem ser explicados pelas diferenças de ritmos de atividade econômica setorial, isto é, o volume de produção mensal. No caso do setor mineral, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o profissional observa a diminuição de 14% na produção no primeiro trimestre deste ano. O faturamento do setor no primeiro trimestre de 2022, diz ele, foi 20% menor que o do primeiro trimestre de 2021 e 31% menor que o do quarto trimestre do ano passado. Para Sérgio, essa diminuição ocorreu, principalmente, pela queda da demanda da China devido às medidas de isolamento para combate à covid-19 que o país voltou a adotar.

Outros segmentos

Também houve retração maior em outros dois segmentos – têxteis (-15,8%) e veículos (-25%) – mas, como explica a equipe do CCEE, a demanda deles é menor, então não impactam de forma drástica no resultado do Pará. Da mesma forma, o transporte foi o setor que mais apresentou crescimento (50,9%) no período, mas não apresentou grande impacto.

Outros que cresceram foram os setores de serviços (22,8%), alimentícios (19,7%) e comércio (19,4%). “As atividades de comércio e serviços no Pará em 2022 apresentaram crescimento em relação a 2021. A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, de maio de 2021 a maio de 2022, o comércio varejista ampliado (que inclui bens não-duráveis, semiduráveis e duráveis) cresceu 3,7%, e o setor de serviços cresceu 7,4%. Esses valores refletem ainda a retomada econômica após o auge da pandemia da covid-19, a qual afetou fortemente as atividades de comércio e serviços”, aponta Sérgio Melo. Ele acredita que este crescimento motive a alta do consumo de energia elétrica.

Estados

Além do Pará, outras Unidades Federativas que apresentaram queda foram Piauí (-5%), Rio Grande do Norte (-4%), Paraíba (-2%), Rio de Janeiro (-1%), Ceará (-1%) e Amapá (-1%). O restante teve resultado positivo no intervalo, com destaque para Rondônia (11%), Mato Grosso (9%), Paraná (7%), Rio Grande do Sul (5%) e Maranhão (4%).

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Economia
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